Uma idéia é como um pássaro

umaideia

Um dos melhores livros que eu já li sobre propaganda e publicidade é sem dúvidas o Criatividade em Propaganda, do Roberto Menna Barreto.

O livro foi escrito em 1981 e continua pertinente e atual. A edição original é excelente para visualizar um pouco da propaganda clássica no Brasil. Mas o que faz o texto único é o teor prático de cada linha do livro. Um curso completo sobre criatividade em ação com técnicas que ainda hoje utilizo no meu dia-a-dia (e ainda não encontrei melhores).

O livro é mesmo uma extensão de toda experiência e conhecimento do Menna Barreto, em seus cursos de faculdade, em seus dias de publicitário ou como escritor. Exala conhecimento autêntico. Pra mim é um clássico.

Segundo o autor em seu prefácio, o livro é inatualizável, é justamente um retrato de época e mostra como, apesar de toda tecnologia, certos processos continuam os mesmos. Como por exemplo a imagem que abre esse post, que está na porta de nossa sala de criação, aqui na Trafor.

A imagem lá em cima, abre a primeira parte do livro, com o relato de seus primeiros dias como o redator mais jovem do Brasil na JWThompson, juntamente com o lendário Orígenes Lessa.

Essa imagem fala de um processo que nenhum publicitário atual deveria esquecer:  a criação em propaganda e a publicidade é, segundo o autor, um ato banal, simples e intelectualmente primário.

Atentem para o termo que ele usou intelectualmente primário. Os mesmos mecanismos que uma criança utiliza na concepção de idéias, utilizamos para vender marcas.

É claro que toda a ciência por trás disso não deve ser ignorada – as pesquisas, conhecimento adquirido, leituras, experiências pessoais, viagens, contatos, conversas, cursos, aulas e uma infinidade de pormenores. Mas o atributo para associar idéias é assim, simples e primário. Como a mente de uma criança. Como ele mesmo fala, o mesmo talento para produzir trocadilhos, piadas, gírias e afins.

O desafio de profissionais é tirar essa impressão imatura e infantil da propaganda e apresentá-la como processo sério. Por isso criativos muitas vezes não são vistos com seriedade (alguns egos contribuem para esse processo).

É justamente para lembrar que uma idéia é como um pássaro. Se não tiver foco e for muito bem apresentada enquanto solução de comunicação, o resultado final será sempre sem sentido. Você não acha?

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3 Responses to “Uma idéia é como um pássaro”


  1. 1 sinkos 8 de abril de 2009 às 19:49

    Obrigado por banalizar a profissão…hehe, brincadeiras a parte, este argumento, intelectualmete primário, é muito útil quando as pessoas se dizem “não criativas”. Elas podem não ter experiências de vida suficiente para gerar as neossinapses ( trocadilho infame), mas se elas são capazes de entender, são capazes de aprender a criar.

  2. 2 rodguedes 8 de abril de 2009 às 22:06

    Concordo Sinkos, é exatamente isso.

    Só pra não ficar mal-entendido: a intenção não é banalizar a profissão, mas mostrar que a criatividade é um atributo que pode ser desenvolvido, que não há sentido ficar ostentando certos cargos em função disso (o que acontece muito no nosso meio), como se só alguns poucos escolhidos pudessem ser criativos. É claro que a predisposição existe sim, mas também existe a possibilidade de desenvolver certos atributos.

    E por último atentar ao fato de que valorizar apenas esse atributo/aspecto da profissão pode contribuir para uma imagem de pouca seriedade para nossa área. Criativos hoje tem que ser muito mais vistos como resolvedores eficientes de problemas do que apenas artistas.

    Em tempo: #prontosurtei rules 😉

  3. 3 cinemastation 3 de setembro de 2009 às 16:11

    Ótimo texto! Eu tenho uma mania de ver tudo de forma holística… passo pelo cinema (pra variar) passo pela publicidade, etc etc, e acabo sempre na visão de mundo… os indivíduos tendem a banalizar o óbvio! e isso acaba dificultando a simples forma de comunicar, me incluo na maioria desses indivíduos… pq simplesmente vejo as vezes que “criar” é o pior sentimento para uma pessoa, triste dizer isso, pq tenho a irritante mania de destruir a simplicidade #WTF, mas as vezes é bom se desapegar desses sentimentos e voltarmos ao intelecto primário e se reiventar. O processo de criação é banalizado de certa forma, acredito, pq os indivíduos perderam o hábito de viver as coisas simples, e tornar o óbvio a coisa mais difícil a se fazer. #prontosurtei tb =D


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