Inovação evolucionista – a sapiência que faz evoluir

Nesses tempos onde Darwin está sendo (re)descoberto, muito andam falando de evolução associado à inovação. E parece que a relação é clara: a evolução é impiedosa com quem não inova.

evolucao

Ia escrever esse post falando de nossos primeiros antepassados e focado em inovação, quando li o artigo do Clemente Nobrega, que acompanho sempre na Época Negócios, sobre “A lição da pré-história”. Um pessoal foi pesquisar sobre porque os Neandertais começaram a desaparecer no decorrer de um período de 10 mil anos, justamente na época em que se encontraram com o Homo Sapiens. O resultado: os homo-sapiens souberam utilizar seus conhecimentos genéticos para se adaptar ao “mercado” da época, se especializando no que era essencial a sobrevivência.

Quando a gente fala em evolução, é fácil confundir algumas coisas. Primeiro a idéia que descendemos de macacos. Darwin nunca disse isso, temos sim antepassados em comum. A outra dúvida é de que espécies descendemos? De vários tipos. Não existia apenas um tipo de “homídio”, e sim vários, distintos entre si.

O que eu chamo de inovação evolucionista nesse post, são as inovações estruturais e ou sistêmicas advindas da experiência do(s) sujeitos, a qual predispõe saltos evolutivos, como por exemplo a linguagem humana.

Há quatro ou cinco milhões de anos atrás a recém iniciada raça humana estava dividida em duas linhas biológicas, a dos chamados “homídios animais”, também conhecidos como australopitecos (o Piteco da turma da Mônica :)) e os “homídios humanos” que depois evoluiram para esses exemplares que como eu e você estamos aí, na frente do computador, usando nossas mãos liberadas pela evolução para a inovação de digitar em um teclado ou clicar em um mouse.

Cruzando informações desse artigo com alguns livros que ando fuçando atualmente, como a Breve História do Mundo de Geofrey Blainey e Criatividade e Grupos Criativos do De Masi, fica claro que apesar dos humanídios anteriores ao Homo-Sapiens terem desenvolvivido as características humanas de fato (andar em pé, usar as mãos, a fala), foi o Homo-Sapiens que aperfeiçou seus usos, diferenciando-se e criando os modos de vida que resultaram onde estamos hoje.

O resultado hoje são milhares de outras espécies de animais, desde protozoários e insetos até mamíferos e apenas uma espécie humana, a única espécie nesse planeta que se preocupa em estudar a si mesmo (pelo menos até onde se sabe. Eu ainda desconfio dos golfinhos).

Retornando alguns milhões de anos atrás:

O nosso primeiro grande inovador mesmo (da classe dos “humanos”), foi o Homo Habilis, de 4 a 5 milhões de anos atrás, que além de começar a andar ereto, soube usar as mãos livres e começou a criar utensílios (nossa primeira expressão criativa!). Mas o legal mesmo é que ele foi o primeiro a usar a fala para se expressar, iniciando a era da comunicação verbal, movendo-se anos luz à frente de seus semelhantes.

homo-habilis

Depois veio o Homo-Erectus, ou Pitecantropo, há cerca de 1 milhão e meio de anos atrás, exatamente o povo que dominou o fogo, a caça e como o Rambo construia armadilhas como ninguém, dominando toda África e Europa daqueles tempos. Atirar uma pedra ou construir uma fogueira são inovações que garantiram nossa história.

herectus

Então apareceu o Homem de Neandertal, o típico homem das cavernas, há 200 mil anos atrás. Usava já habilmente a linguagem, caçava, enterrava seus mortos, curava seus doentes e era nômade.

neandertal_ok

Então, milhares de anos passados, apareceram os Homo-Sapiens, que eram também humanos e igualmente inteligentes aos colegas(?) Neandertais. Mas deram uso ao conhecimento e souberam focar a produtividade no que era decisivo à sobrevivência e principalmente dividir funções de trabalho. Ou seja, os que eram bons em caçar, caçavam; os que sabiam produzir flechas e materiais afins produziam e depois trocavam-se serviços.

Assim se estabeleceram as primeiras relações comerciais de que se ouviu falar. E, como ainda acontece hoje com vários profissionais e empresas, os Neandertais, apesar de terem acesso aos mesmo recursos que os Sapiens não foram pouco inovadores. Não seguiram as tendências do mercado, deixaram de se adaptar ao novo cenário e em 10 mil anos sumiram do mapa.

A lição é de que é preciso reinventar-se sempre. Mudar sempre as características “hereditárias” de nossos comportamentos, negócios, relacionamentos. Nem tanto o especialismo inflexível, nem a variedade sem profundidade nem função. A sapiência para o equilíbrio é uma característica humana, sapiens. A grande diferença hoje é que temos a noção de que a inovação não deve dizer respeito ao que é bom apenas para um grupo, mas no que seria o melhor para todos. E a responsabilidade igualmente.

E a gente com essa banda larga toda, wirelles, 3G, mobiles, twitters, blogs e afins, estamos evoluindo pra onde? 😉

(fontes: Época Negócios Fevereiro 2009 e livros citados)

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