Piratas da Inovação

Ontem assisti Piratas do Vale do Silício (Pirates of Silicon Valley, 1999), o filme legal que conta a história da criação da Apple e da Microsoft com foco nas personalidades e temperamentos de Steve Jobs e Bill Gates. E fiquei sabendo que hoje é o 32º aniversário da fundação da Apple, criada em 1º de abril de 1976 por um Steve Jobs new age e seu amigo Steve Wozniak, o verdadeiro gênio por trás dos computadores que tanto gostamos.

O nome do filme é Piratas porque era isso que aquele pessoal fazia: “pilhavam” idéias, aperfeiçoando, adaptando conforme sua visão. A idéia de interface gráfica e o mouse por exemplo, foram criadas por uma equipe da Xerox e não pela Apple. Mas os executivos da Xerox na época eram tapados demais para entender a importância disso e deram de mão beijada a tecnologia para a Apple, durante uma visita de Jobs. A equipe que bolou as tecnologias ficou arrasada.

Já a cena que mostra Bill Gates e Paul Allen na IBM, na reunião que resulta a empresa bilionária que conhecemos hoje, serve para um misto de indignação e admiração por Gates. Ele chega e diz “vocês tem os computadores, nós temos um sistema operacional, chama-se DOS”. Na verdade eles não tinham absolutamente nada para oferecer à IBM, compraram o tal do sistema operacional horas depois de um desconhecido, por 50 mil dólares e o aperfeiçoaram. A IBM achou ótimo pois eles só pediram em troca os direitos para licenciar o sistema operacional, na visão deles um ótimo negócio, já que ninguém iria querer usar isso. Mal sabiam eles.

O filme é cheio de diálogos memoráveis, principalmente agora que já sabemos onde essa brincadeira toda levou. A Dobradinha Gates/Allen e Jobs/Wozniniak mostra que por trás de grandes inovadores é preciso pessoas competentes para executar.

Por exemplo, Steve Wozniniak (o cara que desenvolveu o primeiro computador pessoal, amigo e braço direito de Jobs) tinha um contrato com a HP que o obrigava a mostrar todos os seus inventos para a diretoria em primeiro lugar. Steve ficou apavorado, pois haviam acabado de criar uma das maiores inovações da história, o Personal Computer, futuro Machintosh, mas poderiam perder tudo nessa reunião.

O diretor da HP na época, fala no diálogo: “Steve (Wozniniak), segundo você, isso é para pessoas comuns. O que pessoas comuns iriam querer com computadores?” Para a alegria de Jobs a HP recusou o invento.

Inovações surgem a todo instante, mas o uso que se dá a elas, a direção a tomar, a escolha de como apresentar é que faz a diferença. E nisso Jobs e Gates tinham o diferencial. O filme deixa claro que uma empresa está ligada ao temperamento de quem a comanda, é uma extensão de sua personalidade, e as pessoas que lá trabalham, os negócios, as tecnologias e produtos, sofrem essa influência.

O mais interessante é acompanhar o temperamento dos dois personagens durante o filme. Desmistifica Gates e Jobs, esse último com o comportamento detestável e as loucuras que sabemos, levaram à sua demissão. Sem deixar de lado os méritos, é claro, percebemos um Steve Jobs passional, artista, sempre em busca de algo, tentando encontrar a família que nunca teve na criação da Apple e melancolicamente perdido em si mesmo. Por outro lado um Gates racional, decidido, calculista, com uma ética duvidosa e sabendo exatamente o que quer. O que tinha em um, faltava em outro.


 

Espero ver em breve uma refilmagem, séria e bem dirigida, atualizada, dessa jornada que, como diz certa parte no filme, deveria constar nos livros de história.

 

Diálogo memorável: Jobs – “Nós somos melhores que vocês. Nosso software é melhor.” Gates – “Você não entende, Steve. Isto não importa.” – Bom, hoje em dia já importa.

 

Jobs e Wozniniak “O computador para o resto de nós”.
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5 Responses to “Piratas da Inovação”


  1. 1 leila 1 de abril de 2008 às 22:47

    Olá querido!
    Adorei esta dica de filme, nem fazia idéia deste lançamento! Valeu!!!
    Muitas informações úteis para o nosso universo criativo.
    Teu blog está muito bom, com fotinho do blogueiro e tudo!!
    Beijos da Lê

  2. 2 ssastre 2 de abril de 2008 às 11:17

    Legal o post. Vale destacar a visita que Jobs e Wozniak fizeram na Xerox PARC (http://pt.wikipedia.org/wiki/PARC). A mulher que apresento para eles o sistema com interface gráfica era Adele Goldberg e provavelmente estaría acompanhada de Dan Ingalls e Alan Kay pesquisadores mundialmente reconhecidos por seus trabalhos, principalmente pelo que estava sendo mostrado naquela cena: o Smalltalk-80 um verdadeiro paradigma novo: a programação orientada a objetos. Ele naceu lá produto de anos de esses pesquisadores para comunicar humanos com computadoras de forma mais natural desde a programação até os aspectos da interface inclusive periféricos (mouse). Aqui tem um link a uma apresentação real desse software muito antes de existir o windows e mesmo a macintosh: http://en.wikipedia.org/wiki/Adele_Goldberg_(computer_scientist)
    O sucesor direto de aquele produto é o Squeak http://www.squeak.org que é uma das bases da XO ou OLPC http://pt.wikipedia.org/wiki/OLPC o projeto do Nicholas Negroponte que procura fazer accesivel a laptop para todas as crianças do mundo. O Brasil é um dos paises mais comprometidos nesse importantissimo projeto e um derivado do Squeak será o software de base.

  3. 3 Rodrigo Guedes 2 de abril de 2008 às 21:13

    Fantástico Sebastian! Nada como alguém da área (TI) para complementar as informações.
    São os bastidores de um universo que a maioria desconhece mas tem influência direta no modo como vivemos nossos dias na frente de um personal computer.

  4. 4 Rodrigo Guedes 2 de abril de 2008 às 21:14

    Valeu Lê! Tenho o mesmo a dizer do nosso querido “gato preto”.
    bjs!

  5. 5 Aleph Ozuas 14 de abril de 2008 às 17:55

    Tenho um documentário muito bom sobre o software livre (Revolution OS -2001) que mostra como Gates transformou a idéia de software. Quer dizer, tentou destruir a idéia de software livre com uma carta aberta aos programadores, que na época (não lembro o ano) não cobravam pelos softwares, apenas pelo suporte, idéia muito antiga, que muitos pensam que é nova. Na verdade o software livre é mais antigo e foi o Gates que teve a idéia de lucrar (e muito) comercializando bytes. Na carta o Gates se mostra indignado com o software livre e conclama a comunidade de programadores a cobrar pelos sofwares e assim criar todo o mercado bilionário que conhecemos atualmente. Felizmente o software livre retorna com um poder cada vez mais forte, não devendo nada aos programas comerciais, que ainda tentam desqualificar as iniciativas.


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